Direitos Humanos

Pastorais Sociais denunciam crime no rompimento de barragens em Minas Gerais

Área afetada pelo rompimento de barragem no distrito de Bento Rodrigues, zona rural de Mariana, em Minas Gerais (Antonio Cruz/Agência Brasil)
Rompimento de barragens de Fundão e Santarém casou uma enxurrada de lama e destruiu o distrito de Bento Rodrigues

O Secretário Executivo do Regional Sul 4 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, padre Luciano dos Santos, lamentou catástrofe causada pelo rompimento de duas barragens em Marina, MG, dois dias atrás. No seminário estadual de preparação para a Campanha da Fraternidade de 2016, em Lages, no dia 08, ao pedir atenção para o fato, apontou que “não podemos deixar passar desapercebidas as coisas que acontecem na nossa história”.

Padre Luciano, leu o manifesto do Fórum das Pastorais Sociais do Regional Leste II, que denuncia “o crime contra a vida, o meio ambiente e a biodiversidade provocado pela companhia Vale e Bhp Billiton (Samarco)”. O manifesto denuncia também que mineradora “Vale matou o Rio Doce”.

Os agentes de pastoral exigem que “o Estado garanta o cumprimento de direitos das populações atingidas e afetadas, proteja o meio ambiente e puna com rigor os culpados”.

Ainda de acordo com manifesto, “este desastre criminoso acontece dentro de uma sequência de outras tragédias ocorridas em várias regiões do país, das quais destacamos os ocorridos em Minas Gerais: Miraí, Muriaé, Espera Feliz, Nova Lima/Macacos e Itabirito, ficando impunes as empresas mineradoras que os provocaram”.

Os agentes de pastoral, citam o Arcebispo de Mariana dom Geraldo Lyrio Rocha, que descreve a situação: “A tristeza é grande, a dor é profunda, os prejuízos são enormes, a desolação não tem tamanho… Entre os escombros brotam sinais de vida e ressurreição. Deus está presente. O Ressuscitado comunica vida onde está a morte. O Espírito Santo ascende a chama da esperança no meio dos gemidos de desespero.”

O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), existem mais de 700 barragens de rejeitos em Minas Gerais. Destas, 43 tem alto risco de rompimento, “algumas com potencial maior do que as de Santarém e Fundão, o que causou danos humanos e ambientais irreversíveis, contaminando a água na bacia do Rio Doce”,

Consequências ainda são desconhecidas

A Agência Brasil informou que, dos 28 desaparecidos, 13 são funcionários de empresas que prestam serviços à mineradora Samarco, e 15 são moradores do distrito de Bento Rodrigues, na zona rural. Entre eles, um bebê de 3 meses e um homem de 70 anos. Até o momento, há confirmação de uma morte.

De acordo com o Serviço Geológico do Brasil, que monitora o caminho da lama. primeiro indício da mudança do nível do Rio Doce na estação de monitoramento de Governador Valadares (MG) foi verificado às 11h30. A próxima estação de monitoramento a ser atingida pela onda de cheia é Tumiritinga (MG), que fica a 400 quilômetros de Bento Rodrigues. Esta onda de cheia, porém, não causará enchentes nos municípios que estão localizados na margem do Rio Doce, segundo as autoridades.

Feito com Wordpress wordpress.org