Direitos Humanos

Número de assassinatos em conflitos no campo é o maior em 12 anos, diz CPT

CPT lançou documento no Acampamento Nacional pela Democracia, no DF (Jaime C. Patias/POM)
CPT lançou documento no Acampamento Nacional pela Democracia, no DF (Jaime C. Patias/POM)
Foram 50 assassinatos, o número mais elevado desde 2004, 39% maior que em 2014, quando foram registradas 36 vítimas.

De acordo com o Relatório “Conflitos no Campo Brasil 2015”, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), a violência contra ocupação e a posse no Estado de Santa Catarina caiu. Em 2015 foram 6 ocorrências envolvendo 949 pessoas, contra 21 ocorrências envolvendo 3770 pessoas, no ano anterior. Na região sul, apenas o Paraná teve um leve crescimento, 35 contra 34.

A Amazônia Legal continua a ser a mais violenta concentrando 47 dos 50 assassinatos, sendo 19 no Pará, 20 em Rondônia, 6 no Maranhão e 1 no Amazonas e outro no Mato Grosso.

Outra constatação foi que, na Amazônia, ocorreram 30 das 59 tentativas de assassinato; 93 das 144 pessoas ameaçadas de morte; 66 dos 80 camponeses presos; 94 dos 187 agredidos fisicamente; 529 dos 998 conflitos por terra; 571 das 795 famílias expulsas da terra; 2.866 das 13.903 famílias despejadas, com destaque para o Mato Grosso (1090), Rondônia (694) e Amazônia (640).

— Nestes tempos de intrigas palacianas e contendas entre os três poderes, os holofotes estão todos voltados para o Planalto. Enquanto isso, os povos das planícies, da terra, das águas e das florestas, estão entregues, cada vez mais, às feras do capital, às feras do latifúndio e do agronegócio. Estão entregues às milícias armadas e aos jagunços a serviço das grandes potências, do mercado nacional e internacional”, afirmou o presidente da CPT, dom Enemésio Angelo Lazzaris, presidente da CPT, ao apresentar o documento.

Na avaliação do organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a Amazônia continua sendo uma das novas fronteiras para o capital representados pela expansão da soja, da pecuária, pela mineração e a extração de madeira. Além disso, a construção de hidrelétricas, portos, aeroportos, hidrovias e estradas acirram os conflitos em nome de um “suposto desenvolvimento”

A 31ª edição do documento anual foi lançada dia 15, no Acampamento Nacional pela Democracia, montado pela Frente Brasil Popular, nas imediações do ginásio Nilson Nelson, em Brasília (DF), está disponível para download no site da entidade.

Com informações da CPT e Pontifícias Obras Missionárias

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